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Mulheres comandam apenas 10 dos 32 partidos em Belo Horizonte

Minas possui só quatro siglas lideradas por mulheres. No brasil, número chega a três

 

Apesar de serem a maioria do eleitorado do país (52,5%), ainda há pouco espaço para mulheres nas direções partidárias. Na capital mineira, elas representam 54% dos 1,9 milhão de eleitores, mas somente em dez das 32 legendas são comandadas por mulheres: PV, PSOL, PCdoB, Pode, PSTU, PTB, Avante, Rede, UP e Cidadania.

 

O cenário é ainda mais excludente nos âmbitos estadual e nacional. Em Minas Gerais, somente quatro das 33 agremiações políticas (PMB, PRTB, PSOL e REDE) possuem mulheres no cargo de presidente. No Brasil, o número cai para três: PT, PCdoB e Podemos.

 

Para a presidente do PV em Belo Horizonte, Daniela Carvalhais de Almeida, o mais difícil para a mulher é ter que provar a todo momento que é capaz de exercer qualquer função e de ocupar qualquer cargo político. Ela afirma que, ao longo de seus 20 anos de vida política, enfrentou – e ainda enfrenta – vários questionamentos quanto à sua capacidade para estar à frente da sigla.

“Estou cada dia mais consciente do meu papel como presidente de partido. É uma questão de representatividade. Este ano, temos várias candidatas que vieram por se sentirem representadas e acolhidas. Essa é a minha missão”, afirma Daniela. 

 

Segundo a presidente do PSOL em Belo Horizonte, Kátia Salles, é mais comum ter mulheres compartilhando o espaço político, pois a maioria vem dos movimentos estudantis. Ainda assim, ela diz que houve momentos, sobretudo quando o partido foi fundado, em que as mulheres tiveram de insistir e resistir. "Em uma convenção, tivemos que subir ao palco e impedir a continuidade dela até que colocassem nossas pautas em votação", relembra Kátia.

 

De acordo com a presidente do PCdoB em Belo Horizonte, Jô Moraes, apesar dos avanços obtidos nos últimos anos na esfera política, ainda há sub-representação da mulher em todas as instâncias de poder. “Como presidente de partido, o maior desafio é, exatamente, convencer as mulheres de que a política é um espaço seu. Nessas eleições, principalmente, é preciso fazer cumprir a legislação para evitar fraudes e a manipulação das mulheres, a fim de impedir o repasse de verbas para candidatos homens”, pontua.

 

Machismo estrutural é entrave para mulheres na política

 

Para a doutora em direito político e professora da PUC Minas, Roberta Maia Gresta, a política é um meio extremamente hostil para as mulheres. Segundo ela, há dois motivos para explicar esse quadro: o machismo estrutural e atitudes específicas de homens que são refratárias às mulheres.

 

“O machismo estrutural está ligado a questões sociais de distribuições de gênero e à formação do capital social de maneira diferente para homens e mulheres. Enquanto o homem pode transitar em vários espaços sem ser questionado, a mulher cuida da casa e da educação dos filhos. Isso já é um dificultador de acesso ao espaço público. Se a mulher rompe esse paradigma, ela vai sofrer preconceito, inclusive de correligionários”, explica Roberta.  

 

Segundo ela, a ideia de que “mulher não se interessa por política” não é verdadeira. “Além de serem a maioria do eleitorado, também correspondem quase à metade dos filiados a partidos políticos”, frisa. 

 

Fraudes com candidatas laranja devem diminuir em 2020

Este ano, os partidos terão de cumprir a cota de 30% de candidaturas do gênero feminino para o cargo de vereador, individualmente. Antes, a obrigatoriedade se aplicava à coligação como um todo. Com isso, a expectativa que diminua o número de casos de candidatas laranja.

 

A mudança se deve à Emenda Constitucional nº 97/2017. Em pleitos anteriores, mulheres eram indicadas como candidatas apenas para cumprir a cota dos partidos, mesmo sem fazer campanha ou obter votos. Já os recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanhas (FEFC) a que tinham direito eram direcionados a candidatos homens.

 

“Muitas candidatas laranja sequer sabiam que estavam concorrendo a um cargo político, mas foram apontadas pela sociedade como únicas culpadas pela fraude”, enfatiza a professora Roberta.

 

Nas eleições deste ano, as legendas também terão de destinar às candidatas do gênero feminino 30% do tempo de propaganda eleitoral no rádio e na televisão. Com as novas regras, estima-se que haja um aumento de candidaturas viáveis de mulheres e do número de eleitas nas câmaras municipais.

 

 

Fonte: O Tempo


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